Violência contra o negro

maio 24, 2010

Por: Helciane Angélica

A confirmação de que os jovens negros e pobres tem mais chances de serem assassinados não faz mais parte apenas da teoria, e sim, das estatísticas! De acordo com o “Mapa da Violência 2010: Anatomia de Homicídios no Brasil” apresentado em março deste ano, numa série histórica de cinco anos foi quantificado que o risco de um jovem negro ser vítima de homicídio no País é 130% maior do que o de branco.

Essa situação não é diferente quando se analisam todas as faixas etárias, o número de vítimas brancas passou de 18.852 para 14.308, o que significa uma redução de 24, 1%. Já entre os negros, o número de mortes saiu de 26.915 para 30.193, um crescimento de 12,2%. Para cada branco assassinado morrem 2,2 negros no País, enfim, isso significa que morrem no Brasil 107,6% mais negros do que brancos.

Recentemente, a sociedade brasileira ficou chocada com as mortes de um moto-boy e de um aposentado – ambos negros, que moravam em São Paulo. O moto-boy Alexandre Menezes dos Santos, 25, foi morto na porta de casa após apanhar dos policias militares, as pancadas foram tão fortes que só pararam até a perda da consciência, mesmo ele não estando com arma e mãe aos prantos observando tudo. O aposentado Domingos Conceição dos Santos de 47 anos, levou um tiro na cabeça em uma agência bancária, quando tentou passar pela porta giratória. Após várias tentativas e mesmo afirmando a existência de um marca-passo no coração, o segurança pensou que ele era um assaltante.

Coincidência ou não, durante esta semana onde se “comemorava” a realidade do Brasil pós Lei Áurea muitos eventos abordaram a segurança pública e a violência contra os negros. Foi o caso do 7º Ato Ufal em Defesa da Vida, que chamou a atenção da sociedade alagoana fazendo a exposição de 2000 pares de calçados que representam o número de mortos, além ter apresentações culturais e a mesa redonda “As faces da violência étnicorracial”. E também da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial em parceria com os Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores realizou em Brasília, um seminário de 12 a 14 de maio sobre as relações dos órgãos de Segurança Pública com negros, povos indígenas. Estiveram presentes cerca de 150 especialistas, técnicos, professores, gestores de políticas públicas da área de direitos humanos, além de policiais militares, civis, bombeiros e representantes do movimento social que trabalham com questões ligadas à juventude.

A PM ainda continua vendo os negros como suspeitos preferenciais, infelizmente, o racismo institucional ainda é forte, prevalecendo cotidianamente a frase: “Negro parado é suspeito, negro correndo é ladrão!”. Até quando?!

Fonte: Coluna Axé – Jornal Tribuna Independente (18.05.10)

Extraído: http://www.cojira-al.blogspot.com/


Mapeamento das Mortes por Acidentes de Trânsito no Brasil

maio 17, 2010

Usando como fonte a base de dados de mortes por acidentes de transportes terrestres do Ministério da Saúde, estudo da Confederação Nacional dos Municípios apresenta a situação e a evolução da mortalidade no trânsito nos diversos locais do Brasil.

Os dados dos últimos anos mostram que as mudanças inseridas com o código de trânsito de 1998, como melhora da segurança dos veículos e o incremento da fiscalização eletrônica, não fizeram com que a mortalidade por acidentes de trânsito apresentasse uma redução importante.

Usando como fonte a base de dados de mortes por acidentes de transportes terrestres do Ministério da Saúde, estudo da Confederação Nacional dos Municípios apresenta a situação e a evolução da mortalidade no trânsito nos diversos locais do Brasil.

Os dados dos últimos anos mostram que as mudanças inseridas com o código de trânsito de 1998, como melhora da segurança dos veículos e o incremento da fiscalização eletrônica, não fizeram com que a mortalidade por acidentes de trânsito apresentasse uma redução importante.

Ao contrário dos países desenvolvidos, no Brasil, a quantidade de fatalidades em acidentes de trânsito cresceu de 2000 a 2007. De acordo com a base do SUS, houve um aumento de 30% nas mortes nesse período. Entre 1997 e 1999, as mortes em acidentes terrestres estavam caindo, mas voltaram a crescer a partir de 2000, atingindo um pico histórico em 2007, com 66.837 mortes segundo os seguros DPVAT.

Por outro lado, os dados indicam que a partir de 2008 começou a haver uma leve queda nos acidentes fatais, o que pode indicar os efeitos positivos da Lei Seca. Mas, ao mesmo tempo, deve-se considerar um fato que veio de encontro a essa política de segurança no trânsito – a exoneração do IPI para carros – que aumentou consideravelmente a frota de veículos nas ruas do país, o que eleva os índices de acidentes.

Nos países desenvolvidos vem sendo aplicada uma política contrária, que busca reduzir, a cada ano, a frota de veículos nas ruas. Essa comparação com os países desenvolvidos mostrou que, proporcionalmente à população, o trânsito brasileiro mata 2,5 vezes mais do que nos Estados Unidos, e 3,7 vezes mais do que na União Européia.

Em 2008, enquanto os Estados Unidos obtiveram uma taxa de 12,5 mortes a cada 100.000 habitantes, o Brasil obteve uma taxa de 30,1, sendo que a frota de carros norte americana é o triplo da brasileira.

O mapeamento das mortes por acidentes de trânsito dentro do Brasil mostrou que capitais de menor porte populacional são as que possuem as maiores taxas segundo a população. Boa Vista (Roraima) vem em primeiro lugar (34,2), seguida por Palmas (31,4) e Campo Grande/MS (29,6). Capitais de estados mais desenvolvidos apresentam taxas mais reduzidas, como São Paulo (14,6), Porto Alegre (13,3) e Rio de Janeiro (14,4). No entanto, capitais do Nordeste lideram com as menores taxas, como é o caso de Natal (8,5) e Salvador (10,6).

Por outro lado, quando o cálculo da razão é feito segundo a frota de veículos locais, muitos estados do nordeste passam para os primeiros lugares do ranking de maior quantidade de fatalidades a cada 10.000 veículos. A comparação entre os estados mostra que Santa Catarina tem a maior taxa média de mortes por 100.000 habitantes (33,1) do país. Também foi constatado que a maior parte dos municípios com as maiores taxas do país é de Santa Catarina.

Mato Grosso do Sul (30,4), Paraná (29,8), Mato Grosso (29,6) e Roraima (29,6) são também estados com altos coeficientes, o que indica um número significativamente alto de mortes em acidentes segundo suas respectivas populações.
O estudo também elenca os 100 municípios do país com as maiores taxas de mortes por AT, tomando sempre como base a quantidade de mortes dos anos de 2005, 2006 e 2007.

Constata-se que são municípios de pequeno e médio porte, com população que varia de 1.209 a 47.260 habitantes. É possível se depreender desse quadro que os acidentes de trânsito não são um problema concentrado nas grandes cidades e não tem relação direta com o porte, como acontece no caso dos homicídios.

As análises também mostram que a maioria das vítimas fatais do trânsito no Brasil continua sendo homens jovens de cidades de pequeno e médio porte.

O estudo mostra também que a insuficiência de dados estatísticos fiéis à realidade
é um obstáculo ao desenvolvimento de estratégias de intervenção adequadas e concretas.

Veja o estudo completo aqui: http://portal.cnm.org.br/sites/9000/9070/Estudos/Transito/EstudoTransito-versaoconcurso.pdf

Fonte da informação: http://www.portaldotransito.com.br/estatisticas/mapeamento-das-mortes-por-acidentes-de-transito-no-brasil.html


Bem-vindo ao sítio virtual do NEVIAL!

outubro 17, 2008

 

Esse espaço se propõe a ser uma “janela virtual” das atividades do Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas, da UFAL. A intenção é divulgar as ações e produções do Nevial para a sociedade civil como um todo e promover a troca de conhecimento, oferecendo, assim, um espaço de discussão sobre o fenômeno da violência, que tanto aflige nosso Estado. A partir das reflexões e estudos interdisciplinares relacionados à temática em todas as suas formas, esperamos contribuir para um maior esclarecimento quanto ao problema e, com isso, interferir positivamente na realidade social. Juntem-se a nós e sejam bem-vindos!

Adicione essa página em seus Favoritos e acompanhe as novidades!